segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Dias melhores...

Gente em dezembro tive várias crises, em janeiro tive umas crises leves, principalmente por ansiedade, mas estou bem melhor, o tratamento com a Carla está sendo maravilhoso e consegui contato com uma especialista em Boderline que me passou o artigo dela maravilhoso, é complicado para quem não entende do assunto mas é o de melhor que já encontrei sobre o assunto, qualquer dúvida perguntem e se eu souber, responderei.


TRANSTORNO DE PERSONALIDADE BORDERLINE

Paula Ventura 1,2, Helga Rodrigues 2 e Ivan Figueira2
1 Instituto de Psicologia, IP - UFRJ
2 Instituto de Psiquiatria, IPUB - UFRJ

INTRODUÇÃO

Nos últimos anos, o Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) encontra-se em evidência, com aumento do interesse de profissionais da área de saúde, do desenvolvimento de estratégias terapêuticas e do número de publicações. A literatura mostra crescente aumento também das publicações na intersecção entre TCC e TPB.  Até o ano 2000 identificamos um total de 71 referências, ao passo que até o ano de 2010 foram localizadas 473 referências (pesquisa realizada no dia 20/08/2010, na base eletrônica ISI Web of Knowledge).
 A estimativa é de que 11% de todos os pacientes psiquiátricos ambulatoriais e 19% dos pacientes psiquiátricos internados preencham critérios diagnósticos para TPB (Linehan, 2010). Dos pacientes com transtornos de personalidade, 33% dos ambulatoriais e 63% dos internados preenchem critérios para TPB (Linehan, 1993). Na população geral, a prevalência é de cerca de 2% (DSM-IV-TR, 2000). A maior parte (74%) dos pacientes com TPB é do sexo feminino e a maioria deles (70 a 75%) tem uma história de comportamento de auto-agressão (Linehan, 1993).
A abordagem do TPB é relativamente recente, com sua inclusão apenas na terceira edição do Manual Diagnóstico e Estatístico dos Transtornos Mentais (DSM-III, 1980), o que favoreceu o desenvolvimento de estudos sistemáticos nessa área. Diferentes autores têm estudado o TPB, dentre eles: Marsha Linehan, Mary Anne Layden, Christine Padesky, Arthur Freeman e Cory Newman.
Este capítulo tem por objetivo abordar o Transtorno de Personalidade Borderline e para qual serão adotados os critérios do DSM-IV (1994) e DSM-IV-TR (2000). (Para uma revisão que inclua todos os transtornos de personalidade ver Ventura, 1995). Será considerada a definição de personalidade proposta por Beck e colaboradores (2005), segundo a qual a personalidade é uma organização relativamente estável, composta por sistemas e modos. Sistemas de estruturas interligadas (esquemas) são responsáveis pela recepção de um estímulo e por todo o processo que vai até a resposta comportamental.
Os esquemas são estruturas cognitivas que organizam a experiência e o comportamento e referem-se às necessidades básicas do indivíduo, sendo desenvolvidos e mantidos por meio do relacionamento interpessoal. O paciente com transtorno de personalidade apresenta esquemas não-adaptativos, que trazem sofrimento a ele mesmo ou a outra pessoa. Os esquemas também são amplos, inflexíveis e densos, já que permeiam toda a organização cognitiva, e hipervalentes. Quando um esquema é hipervalente, seu limiar de ativação é baixo e inibe a ativação de outros esquemas.
Os esquemas, de forma geral, estão relacionados a cinco temas básicos:
1.      Expectativa de que as suas necessidades básicas de segurança, estabilidade, empatia e atenção não venham a ser satisfeitas.
2.      O indivíduo acredita ser incapaz de viver com certo grau de independência do outro.
3.      Expectativa de que não é uma pessoa desejável ou de que é diferente das outras pessoas no que diz respeito à beleza física, habilidades sociais, sucesso profissional, etc.
4.      Tendência a ignorar ou suprimir as emoções ou preferências.
5.      Restrição da autogratificação, em que o indivíduo volta a sua energia para o trabalho e para a as responsabilidades, deixando de lado atividades de lazer.

Os esquemas são mantidos pelos processos de distorção cognitiva descritos por Beck e pelo comportamento de evitar o contato com os esquemas, pois sua deflagração é muito ansiogênica. Comumente, observamos que os pacientes adotam comportamentos opostos ao que se esperaria a partir de seus esquemas. Por exemplo, pacientes com grande necessidade de atenção procuram afastar-se das pessoas, porque acreditam que ninguém conseguirá atender a essas necessidades (Young e Lindemann, 1992; Young et al., 2008).
Desde a introdução dos transtornos de personalidade como categorias diagnósticas em 1980, por meio da publicação do DSM-III, observamos na literatura estudiosos que defendem a idéia de que os transtornos de personalidade não existem, ou que não são adequadamente definidos pelo DSM. Arntz (1999) mostra que há evidências suficientes para a definição dos transtornos de personalidade como categorias diagnósticas. Estudos epidemiológicos, usando critérios do DSM, mostram que a prevalência dos transtornos de personalidade na população geral é de 1 a 3%; cerca de 10 a 20% na população de pacientes ambulatoriais e de 19 a 60% na população de pacientes internados (DSM-IV, 1994). Além disso, estudos com neuroimagem avançam, sugerindo a redução significativa do volume do hipocampo e da amígdala, encontrados em pacientes com TPB, como possíveis substratos biológicos de alguns sintomas desse transtorno de personalidade (Nunes et al., 2009).
Uma das críticas geralmente feitas aos transtornos de personalidade é que apenas alguns dos vários critérios devem ser preenchidos para que o diagnóstico seja feito, o que levaria a uma variedade muito grande na apresentação de um mesmo transtorno. O TPB, por exemplo, poderia ser diagnosticado de 247 formas diferentes (utilizando as várias combinações possíveis dos critérios do DSM-IV). Na realidade, porém, essa crítica normalmente feita aos transtornos de personalidade também se aplica aos transtornos do Eixo I do DSM-IV. Por exemplo, o transtorno de pânico pode ser diagnosticado de 7.814 formas diferentes, levando-se em conta que o paciente deve preencher no mínimo 4 dos 13 critérios para que o diagnóstico seja feito, ou seja, pode apresentar qualquer combinação de 4 dos 13 sintomas, bem como qualquer combinação de 5, 6, 7, e assim por diante dos 13 sintomas.
Além disso, avanços vem sendo propostos para o diagnóstico dos transtornos de personalidade no DSM-V. De acordo com especialistas, o sistema diagnóstico deve ser clinicamente relevante, incluindo um espectro das patologias da personalidade, facilitando assim, o seu reconhecimento e evitando a negligência dos diagnósticos de transtorno de personalidade na prática clínica. Deve também poder ser utilizado por clínicos não necessariamente especializados na avaliação e tratamento dos transtornos de personalidade (Shedler et al., 2010).
Com freqüência, os pacientes procuram terapia com queixas de depressão, ansiedade, transtornos alimentares, e o terapeuta pode ter a falsa impressão inicial de que se trata de um caso de fácil manejo. Comprovadamente, há uma sobreposição muito grande de transtornos do Eixo I e do Eixo II. Nos transtornos ansiosos, a prevalência média de transtornos de personalidade em pacientes com transtorno de pânico, fobia social, transtorno de ansiedade generalizada e transtorno obsessivo-compulsivo variou de 50 a 60% (van Velzen e Emmelkamp, 1996). Os tipos de transtornos mais prevalentes foram o transtorno dependente e o transtorno obsessivo-compulsivo de personalidade. Nos transtornos alimentares, a prevalência média de transtornos de personalidade é de 37% e de 9% para o TPB, sendo este o segundo transtorno de personalidade com maior co-morbidade com os transtornos alimentares (Ramklint et al., 2010). A maioria dos estudos com depressão relata prevalência de transtornos de personalidade de cerca de 30 a 40%. Pesquisas indicam também alta taxa de comorbidade entre TPB e abuso de substâncias. Até 57.4% dos indivíduos com TPB preenchem critérios para abuso de substâncias (Trull et al., 2000). Podemos concluir, grosso modo, que cerca de metade dos pacientes com transtorno de ansiedade, de humor, alimentares e abuso de substâncias, apresenta algum tipo de transtorno de personalidade. Taxas tão altas de comorbidade demonstram que é essencial o desenvolvimento de pesquisas na área dos transtornos de personalidade.
No entanto, a que se deveria a sobreposição tão grande entre transtornos de Eixo I e transtornos de Eixo II? De acordo com o DSM-IV, a comorbidade seria um produto do acaso. Há vários modelos que se propõem a dar uma explicação, vão desde a hipótese de que os transtornos seriam expressões alternativas de uma mesma constituição biológica até a proposta de que seriam duas estruturas psicobiológicas distintas. Os diversos modelos propostos aguardam verificação empírica (van Velzen e Emmelkamp, 1996).
Apesar da alta taxa de comorbidade, o terapeuta deve ter muito cuidado ao diagnosticar um transtorno de personalidade durante um episódio de ansiedade ou depressão, porque esses transtornos podem ter características semelhantes e pode ser mais difícil avaliar o funcionamento do indivíduo a longo prazo. Entrevistas com familiares podem ser muito úteis na obtenção de dados sobre o funcionamento do indivíduo ao longo da vida.
Durante o processo de avaliação, é importante que o terapeuta chegue ao diagnóstico e à formulação cognitivo-comportamental do paciente. A presença de transtorno de personalidade deve ser considerada quando o paciente não é cooperativo, a terapia parece não progredir, o paciente considera seus problemas o resultado somente de causas externas e os seus familiares relatam que ele sempre manifestou os mesmos comportamentos.
Os transtornos de personalidade estão no Eixo II da DSM-IV, que inclui os seguintes eixos:
Eixo I: Síndromes clínicas
Eixo II: Transtornos de desenvolvimento e transtornos de personalidade
Eixo III: Distúrbios e condições sociais
Eixo IV: Gravidade dos estressores psicossociais
Eixo V: Avaliação global de funcionamento
Os transtornos de personalidade são divididos em três grupos: agrupamento A, agrupamento B e agrupamento C. Este capítulo trata especificamente do TPB, que pertence ao agrupamento B. Pacientes pertencentes ao agrupamento B apresentam emocionalidade exagerada, dramática, que dá a impressão de não ser genuína. A fala é fluente e vaga, e o paciente frequentemente cai em contradições. Tende a dar respostas amplas, longas e cheias de metáforas. O terapeuta precisa pedir exemplos concretos e redirecionar a atenção do paciente para que possa obter as informações de que necessita. A emocionalidade exagerada e superficial pode fazer com que o terapeuta não se sinta em contato com os reais sentimentos do paciente, o que dificulta o estabelecimento de uma boa relação terapêutica. O paciente pode flertar com o terapeuta, reclamar dele, ameaçá-lo ou provocá-lo.

CARACTERIZAÇÃO DO TRANSTORNO DE PERSONALIDADE BORDERLINE

Definição

Muitos profissionais utilizam o termo “Borderline”  para se referir a pacientes difíceis e para justificar a falta de sucesso no tratamento. É muito importante não utilizar o termo dessa forma, já que os pacientes com Transtorno de Personalidade Borderline não são os únicos pacientes difíceis que encontramos em nossa prática clínica.
De acordo com Landeira-Fernandez e Cheniaux (2010), alguns filmes como, “Atração fatal”, “Mamãezinha querida” e “Igual a tudo na vida”, ilustram as pricipais alterações presentes no TPB.
Os critérios diagnósticos para TPB, de acordo com o DSM-IV-TR (revisão do DSM-IV, publicada em 2000), encontram-se na Tabela XXX.

TABELA XXX Critérios diagnósticos do DSM-IV-TR para o Transtorno de Personalidade Borderline

Um padrão invasivo de instabilidade dos relacionamentos interpessoais, auto-imagem e afetos e acentuada impulsividade, que se manifesta no início da idade adulta e está presente em uma variedade de contextos, indicado por, no mínimo, cinco dos seguintes critérios:
1.      Esforços frenéticos no sentido de evitar um abandono real ou imaginário (não incluir comportamento suicida ou automutilante, coberto no critério 5).
2.      Um padrão de relacionamentos interpessoais instáveis e intensos, caracterizado pela alternância entre extremos de idealização e desvalorização.
3.      Perturbação da identidade: instabilidade acentuada e resistente da auto-imagem ou do sentimento de self.
4.      Impulsividade em pelo menos duas áreas potencialmente prejudiciais à própria pessoa, por exemplo: gastos finaceiros, sexo, abuso de substâncias, direção imprudente, comer compulsivo (não incluir comportamento suicida ou automutilante, coberto no critério 5).
5.      Recorrência de comportamento, gestos ou ameaças suicidas ou de comportamento automutilante.
6.      Instabilidade afetiva, devido a uma acentuada reatividade do humor (por exemplo: episódios de intensa disforia, irritabilidade ou ansiedade, geralmente durando algumas horas e apenas raramente mais de alguns dias).
7.      Sentimentos crônicos de vazio.
8.      Raiva inadequada e intensa ou dificuldade em controlar a raiva (por exemplo: demonstrações frequentes de irritação, raiva constante, lutas corporais recorrentes).
9.      Ideação paranóide transitória e relacionada ao estresse ou a graves sintomas dissociativos.
American Psychiatric Association (2000, p.710)

Em geral, a fase mais instável do transtorno ocorre no início da vida adulta, que é repleta de episódios de perda de controle sobre os impulsos e é a época em que o risco de suicídio é mais elevado. Os pacientes tendem a atingir maior estabilidade em torno dos 30 ou 40 anos de idade (DSM-IV-TR). Não se deve confundir as crises de identidade comuns na adolescência com TPB. O adolescente pode apresentar características desse transtorno, mas estão relacionadas às pressões por ele vividas nessa nova fase da vida e que tendem a remitir com o tempo.
É muito comum observarmos uma história de abuso sexual em pacientes com Transtorno de Personalidade Borderline, especialmente entre os 6 e 12 anos de idade, muito comumente causado por parentes da vítima (Arntz, 1999). História de abuso sexual está associado com o aumento do risco de desenvolvimento de muitos transtornos psiquiátricos (Chen et al., 2010). Estudos mostram que o abuso sexual não é o único evento traumático associado ao TPB; outras formas de abuso, como abuso físico e emocional, também estão relacionados a esse transtorno. Diante da alta prevalência de abuso sexual, alguns autores levantaram a hipótese de que o Transtorno de Personalidade Borderline seria uma forma de Transtorno de Estresse Pós-Traumático (Gunderson e Sabo, 1993). No entanto, estudos realizados por Arntz (1999) mostraram  que, apesar de haver correlação entre o diagnóstico de Transtorno de Estresse Pós-Traumático e de TPB, este não é um subgrupo mais grave de Transtorno de Estresse Pós-Traumático.
Além da relação dos abusos na infância e o TPB, é importante ressaltar também a relação com os sintomas de dissociação, caracterizados por esquecimentos, entorpecimento emocional (“anestesia emocional”), pensamentos intrusivos, despersonalização (“fora de si”) e desrealização (“fora da situação”). A experiência do paciente em um episódio de dissociação é como se estivesse “fora do ar”, desconectado da situação real que está vivendo. Os sintomas de dissociação são frequentes em pacientes com TPB. Alguns estudos mostram que nesse transtorno, os modos de esquemas disfuncionais predizem os sintomas de dissociação mais do que histórias de abusos na infância. Os pacientes com TPB mudam de modos de esquemas disfuncionais com frequência, de forma intensa e dissociada. Apesar dos modos de esquemas disfuncionais terem suas origens em experiências negativas na infância, os dados apontam que as divisões nos modos da personalidade borderline que predizem os sintomas dissociativos (Young et al., 2003; Johnston et al., 2009).  (Uma descrição mais detalhada de modos de esquema está abaixo).
Como vimos antes, o Transtorno de Personalidade Borderline pode ser diagnosticado de muitas formas diferentes, pelos critérios do DSM-IV e DSM-IV-TR. Dessa forma, dois pacientes com TPB podem diferir bastante entre si no que se refere à sua apresentação clínica. Layden e colaboradores (1993) propõem a existência de três subtipos de TPB. Cada um dos subtipos representaria pacientes com TPB associado a algumas características de outros transtornos de personalidade. Segundo esses autores, é mais raro encontrarmos pacientes com TPB e outros transtornos de personalidade, como obsessivo-compulsivo ou esquizóide, por exemplo. Por outro lado, é bastante comum a associação com traços de transtornos evitativo, dependente, narcisista, histriônico, anti-social e paranóide. Por essa razão, os três subtipos propostos por eles são os seguintes:
1.      Transtorno de Personalidade Borderline-evitativo/dependente;
2.      Transtorno de Personalidade Borderline-histriônico/narcisista;
3.      Transtorno de Personalidade Borderline-anti-social/paranóide.
Segundo Layden e colaboradores (1993), o subtipo anti-social/paranóide é o menos comum nos consultórios psicoterápicos.
A seguir, serão descritas algumas das características de cada um desses subtipos.

Borderline-evitativo/dependente
           
            A ansiedade é um dos sintomas dominantes neste grupo de pacientes, que geralmente paresenta um esquema de incompetência nas várias esferas da vida bastante acentuado. Basicamente, eles não se acreditam capazes de lidar com os problemas da vida, o que os faz apresentar um comportamento de evitação de qualquer tipo de desafio. Por essa razão, acreditam necessitar dos outros para sobreviver, mas têm medo de que, ao se envolver emocionalmente com alguém, venham a perder sua individualidade. Na relação terapêutica, o paciente costuma alternar entre um distanciamento do terapeuta e pedidos de apoio total. Esse subtipo de pacientes tem maior probabilidade de desenvolver transtornos de ansiedade.

Borderline-histriônico/narcisista

            Este subgrupo de pacientes apresenta explosões de raiva quando acredita que suas necessidades não estão sendo atendidas, além de acentuadas variações de humor e relações interpessoais muito conturbadas. Mais do que os outros subtipos, esses pacientes tendem a pedir ajuda por meio de tentativas de suicídio.
            Para ilustrar, podemos citar o caso de uma paciente que, ao final de uma sessão psicoterápica, no momento da despedida, a paciente achou que a terapeuta não havia sido calorosa como de costume e teve seu esquema de rejeição ativado. Saiu da sessão foi para casa, abusou da medicação prescrita pelo psiquiatra, ingeriu álcool, brigou com o marido, a ponto de lhe quebrar um dedo, ligou para a terapeuta inúmeras vezes proferindo xingamentos e dormiu. No dia seguinte relatava não se lembrar de tudo que havia ocorrido. O esquema cognitivo nesse subgrupo tende a ser o de não se sentir amado e de abandono. Para lidar com tais esquemas, os pacientes costumam apresentar comportamentos exibicionistas e tendem a fazer verdadeiros dramas da situações que estão vivendo. Tendem a ser impulsivos, impacientes e apresentar baixa tolerância à frustração, o que dificulta o processo psicoterápico. Também buscam a novidade em torno deles, com comportamentos como o uso de drogas e a troca de parceiros sexuais.

Borderline-anti-social/paranóide

            Este subgrupo de pacientes normalmente apresenta inveja e raiva muito intensas, falta de preocupação com normas e regras e desconsideração pelo ponto de vista do outro. Apresentam comportamentos hostis típicos dos transtornos anti-social e paranóide, com a diferença de que com frequência se envolvem em atos que são tão maléficos para si mesmos quanto para os outros e que estão mais de acordo com o TPB. Muitas vezes, esses pacientes evitam o tédio por meio do uso de drogas. Layden e colaboradores (1993) acreditam que devemos prestar atenção a tentativas de suicídio nesses pacientes, as quais indicam possível potencialidade para comportamento homicida. Para ilustrar podemos citar o caso de uma paciente que chegou à sessão com planos suicídas envolvendo a morte por gás de banheiro. Quando foi questionada, a paciente, na verdade, pretendia matar o namorado com fogo e depois se suicidar com o gás do banheiro. 

RELAÇÃO TERAPÊUTICA
           
Qualquer manual de tratamento de transtornos depressivos ou de ansiedade salienta que o estabelecimento de uma boa relação terapêutica deve preceder o tratamento desses transtornos. Tal recomendação é importante na construção da relação terapêutica com qualquer paciente, mas é ainda mais fundamental na relação com o paciente com TPB. No entanto, nesse caso, muitos dos problemas apresentados pelo paciente situam-se na esfera do relacionamento interpessoal, o que traz problemas para o estabelecimento de uma boa relação terapêutica. É preciso, então, que um dos focos do tratamento seja a própria relação terapêutica.
De acordo com Layden e colaboradores (1993), o terapeuta deve estar atento para estabelecer uma relação terapêutica que procure desenvolver um senso de ligação entre ele e o paciente. Para isso, é importante que seja sempre consistente, sincero e interessado pelo paciente. Além disso, com o avanço do tratamento, é importante que o paciente perceba que pode confiar no terapeuta. Dizemos “com o avanço do tratamento” porque de nada adianta o terapeuta dizer ao cliente que é uma pessoa confiável; a confiança será desenvolvida ao longo das sessões. Para promover o desenvolvimento da confiança, o terapeuta deve, entre outras coisas, prestar atenção ao cliente, não adotar uma postura de juiz, discutir o desconforto relativos à relação terapêutica, pedir feedback do paciente e manter a calma, mesmo diante de explosões de humor daquele. É preciso também que o terapeuta use o padrão de interação do cliente na sessão como indicativo da forma como ele se comporta em suas relações interpessoais. A relação terapêutica é um excelente terreno para que se possam detectar os padrões comportamentais do paciente que tendem a desencadear reações desagradáveis em seu interlocutor. Além de detectá-los, o terapeuta pode treinar com o terapeuta maneira de modificá-los. Por exemplo, uma paciente vira-se para o terapeuta e fala: “Tenho ódio de você, achei que você queria me ajudar, mas fui enganada, você chega com a cara mais limpa do mundo e diz que vai viajar em um momento tão difícil para  mim”. Esse tipo de comentário é desagradável para o terapeuta , que é treinado a lidar com a situação. Fora do contexto psicoterápico, pode pôr fim a muitas relações, o que acabaria por confirmar a crença da paciente de que será sempre abandonada e de que não pode confiar em ninguém.  Nesse exemplo, é preciso que se identifique o esquema cognitivo ativado diante do comunicado feito pela terapeuta de que viajaria por uma semana. É também importante que a paciente aprenda a se expressar de maneira mais construttiva, falando algo do tipo: “Me senti abandonada com a comunicação de que você vai viajar. Como podemos lidar com esta situação?”. Além do conteúdo do que é dito, é preciso que o tom de voz não seja agressivo nem infantilizado. A mudança na maneira de se expressar tende a causar uma reação muito mais positiva no interlocutor e a fortalecer os relacionamentos interpessoais.
É muito comum ao paciente com TPB adotar comportamentos durante a sessão que causam uma reação emocional intensa por parte do terapeuta e que precisam ser manejados adequadamente. Exemplos desses comportamentos incluem berrar ou xingar o terapeuta, quebrar objetos do consultório, seduzir, tentar controlar a sessão, tentar prolongar a sessão, invadindo o horário do paciente seguinte. Para ilustrar podemos mencionar a paciente que ao final da sessão falou que não sairia, pois seu problema era mais importante que dos demais pacientes e que o terapeuta deveria mandar os outros pacientes embora, à medida que fossem chegando para suas consultas. Também é comum telefonar inúmeras vezes e reagir com irritação se o terapeuta não retorna os telefonemas logo a seguir. Diante desses comportamentos, o primeiro impulso seria reagir com igual agressividade e é justamente o que ocorre no dia-a-dia do paciente. É importante conter tal impulso e demonstrar uma atitude empática, não-agressiva e não-defensiva. Por outro lado, os limites precisam ser negociados para que a situação não atinja níveis insustentáveis. Com relação aos telefonemas frequentes e agressivos, podemos citar o exemplo de um paciente que ligava cerca de 10 vezes ao dia para o celular do  terapeuta. Chegou-se a um acordo de que ele só ligaria uma vez ao dia e se expressaria de forma assertiva.
Quando o terapeuta precisa cancelar as sessões, seja por motivo de viagem ou por outras razões, deve ter em mente que vários esquemas podem ser ativados, tais como desconfiança, abandono, falta de amor, etc. Sempre que possível, deve-se avisar o paciente com alguma antecedência para que haja tempo de trabalhar com a ativação desses esquemas durante as sessões. Em alguns casos, é útil deixar um  outro terapeuta informado do caso do paciente para que possa ser acessado durante a ausência do terapeuta.
Se, por um lado, é impossível não vivenciar em algum momento reações emocionais intensas no trabalho com o paciente com TPB, por outro, contamos com todo o arsenal da terapia cognitiva para nos auxiliar a lidar com essas emoções da maneira mais produtiva possível. Para tanto, o terapeuta deve examinar os próprios pensamentos automáticos, que podem incluir pensamentos do tipo “Não posso suportar este paciente nem um minuto mais”, “Ele não reconhece nada do que faço”, “O que estou fazendo aqui perdendo tempo com este paciente ingrato?”, “Quem é meu maior inimigo para que eu possa encaminhar este paciente?”. Pensamentos automáticos aparentemente mais positivos, mas nem por isso menos danosos, incluem “Vou salvar este paciente, dando a ele todo o amor que ele nunca teve”, “Este paciente me considera especial e isso significa que eu realmente devo ser um terapeuta maravilhoso”. Estes e outros pensamentos deflagrados a partir do contato com o paciente com TPB devem ser examinados cuidadosamente para que então possamos proceder à nossa própria reestruturação cognitiva. Esse processo de auto-exame ocorre tanto durante a sessão quanto entre as sessões. Pode ser necessária a troca com outros profissionais que auxiliarão nesse processo. Linehan (1993) defende a idéia de que o terapeuta que lida com pacientes com TPB não deva trabalhar sozinho, contando sempre com outros profissionais que o ajudarão a manter o enfoque terapêutico durante todo o processo.
Os pacientes com TPB tendem a ser hipervigilantes para sinais que possam indicar que o terapeuta não seja confiável, ou queira aproveitar-se dele. Dessa forma, comentários ou comportamentos aparentemente neutros por parte do terapeuta podem ser vistos de forma muito negativa. Por exemplo, uma paciente cancelou a sessão em cima da hora. A terapeuta aproveitou para resolver um problema pessoal. Quando a paciente telefonou para acessar a terapeuta no horário que seria de sua sessão e soube que esta não estava no consultório teve um comportamento explosivo. Se sentiu explorada, pois ao invés de estar lá, mesmo com a consulta tendo sido desmarcada, a terapeuta havia saído do consultório. Para lidar com situações desse tipo, é preciso que o paciente aprenda a “não ler a mente dos outros”, a não inferir a intenção das pessoas e imediatamente se magoar ou agredir seu interlocutor. Antes de mais nada, o paciente precisa saber o que o outro quis dizer para que então possa refletir e se posicionar. Por exemplo, em uma outra situação, a terapeuta depois de ouvir a pergunta da cliente colocou a mão no queixo e ficou pensativa por alguns segundos. A paciente imediatamente falou em um tom de voz agressivo: “Você acha realmente que eu não tenho jeito e que é melhor me encaminhar para alguém, não é?”. Na realidade, a terapeuta estava apenas refletindo sobre a pergunta da paciente.
Os pacientes com TPB também são hipervigilantes para mudanças no afeto e para as vulnerabilidades do terapeuta. Se o terapeuta sentir raiva ou atração pelo paciente, este provavelmente notará e tenderá a magnificar o que observou. Por exemplo, um tom de voz mais hostil por parte do terapeuta pode ser interpretado como “Ninguém gosta de mim, sou uma pessoa má e estou condenado a ser abandonado por todos”.
Linehan (2010) tem uma visão bastante interessante do paciente com TPB, a qual pode ser muito útil na reestruturação cognitiva do terapeuta durante o trabalho com pacientes com TPB. Uma das questões por ela abordadas refere-se ao uso frequente do termo “manipulativo” por parte dos terapeutas ao se referirem a seus pacientes com TPB. Vale lembrar que o indivíduo manipulador, de forma geral, é visto como alguém que quer influenciar propositadamente outras pessoas por meio de meios tortuosos, desonestos ou indiretos. Ao observarmos o comportamento de pacientes com TPB, vemos que ao tentarem influenciar o comportamento do outro apresentam comportamentos diretos e pouco habilidosos (p. ex., o caso dos recados frequentes e agressivos). Sem dúvida, esses pacientes influenciam o comportamento de outras pessoas, tanto pelas tentativas de suicídio quanto de suas crises. Mas será que usam de táticas desonestas para influenciar outras pessoas de maneira proposital? Linehan mostra que esta não é a forma pela qual os pacientes percebem seus atos. Como resolver esta questão? Ou devemos acreditar que esses pacientes são mentirosos, ou que tal comportamento estaria sendo regulado por desejos inconscientes, o que seria um pressuposto completamente inadequado da perspectiva cognitivo-comportamental, que tem como base o método científico. Uma paciente, por exemplo, que tem o comportamento de tentar suicídio toda vez que se sente abandonada e que, depois das tentativas, é coberta de atenções pelas pessoas à sua volta, tenderá a manter o comportamento suicida na presença de abandono. Esse comportamento é fácil de ser entendido, pois o comportamento de tentar suicídio está sendo reforçado com a atençào dispensada pelos parentes. A função do comportamento é clara. Porém, como nos lembra Linehan, não devemos confundir função com intenção. Será que podemos inferir, a partir do exemplo, que a paciente está intencionalmente usando de meios indiretos e tortuosos para influenciar o comportamento do outro, mesmo que negue isso?
Além dessas dificuldades apontadas, associadas ao uso do termo “manipulativo”, devemos lembrar que este é um termo pejorativo e, ao ainvés de nos aproximar do paciente, leva-nos a um distanciamento do mesmo e não nos auxilia em seu tratamento. De acordo com Young e colaboradores (2008), a maneira mais construtiva de ver os pacientes com TPB é como crianças vulneráveis. Fisicamente são adultos, mas psicologicamente são crianças abandonadas em busca dos pais e comportam-se inadequadamente porque estão desesperados.
Com relação à crença de alguns terapeutas de que o trabalho com o paciente com TPB é fadado ao fracasso e ao gasto de energia em vão, os dados não apoiam tal crença. Estudos feitos tanto com a abordagem cognitivo-comportamental (Perry et al., 1999) e com a terapia comportamental dialética (Linehan et al., 1999; Linehan, 1993; McMain et al., 2009) demonstram que a psicoterapia é eficaz. Ainda, a psicoterapia é considerada o principal tratamento para o TPB (APA, 2001).

TRATAMENTOS

Psicoterápico, com abordagem cognitivo-comportamental:
           
No processo de avaliação do paciente é recomendado utilizar o Structured Clinical Interview for DSM-IV, Axis II (Entrevista Clínica Estruturada para a DSM-IV, Eixo II), (First et al., 1997).  Além do diagnóstico psiquiátrico é importante proceder à formulação cognitivo-comportamental, para a conceituação do caso, que variará de paciente para paciente.
Nesta seção, abordaremos algumas intervenções consideradas úteis no tratamento de pacientes com TPB. De acordo com Layden (1993), há quatro tipos de intervenções importantes no manejo desses pacientes. São elas o uso da relação terapêutica, as estratégias para intervenção em crises, o uso de técnicas da terapia cognitiva padrão e a conceitualização focalizada no esquema. Como o uso da relação terapêutica já foi descrito na seção anterior, começaremos discutindo as estratégias utilizada no manejo de crises: Um exemplo típico e bastante comum de crise envolvendo pacientes com TPB é a presença de comportamentos parassuicidas. O termo parassuicida proposto por Kreitman (1997), refere-se a qualquer comportamento intencional, não-fatal, que resulte em lesão de tecido, doença ou risco de morte por ingestão de droga ou substância não-prescrita ou em excesso com o objetivo de se ferir ou se matar. O comportamento parassuicida é bastante presente em pacientes com TPB. É interessante lembrar que Marsha Linehan, uma das maiores estudiosas de pacientes com TPB, não tinha originalmente interesse em paciente com esse transtorno. Foi o seu interesse por suicídio e comportamento parassuicida que a levou até os pacientes com TPB. Linehan (1993) tem como primeiro item obrigatório a ser abordado em todas as sessões com seus pacientes a ocorrência de comportamento parassuicida ou ideação suicida na semana precedente. Tal procedimento evita que no último minuto da consulta o paciente revele que se cortou propositadamente, ou que tomará todos os comprimidos que encontrar ao chegar em casa. Com relação aos comportamentos parassuicidas, o terapeuta deve estar atento aos esquemas cognitivos a ele relacionados. Por exemplo, uma paciente na semana anterior à sessão havia cortado o cabelo curto, com raiva em frente ao espelho e se machucado com uma tesoura. Na consulta seguinte, observou-se que o esquema de incapacidade da paciente havia sido ativado no momento do comportamento parassuicida. Ela utilizava claramente o comportamento parassuicida como forma de se distrair da dor emocional.. Outros clientes têm comportamentos parassuicidas muito associados à ativaçào de um esquema de que são pessoas más e precisam ser punidos. Relatam, inclusive, certo alívio quando intencionalmente se queimam ou se cortam com uma faca, mesmo quando estão sozinhos. É importante discutir com o paciente outras maneiras de lidar com o impulso de engajar-se em comportamentos parassuicidas. Algumas sugestões podem ser feitas ao paciente, como riscar-se com uma caneta pilot vermelha, ao invés de se cortar, colocar as mãos em uma vasilha com gelo, para sentir dor, ao invés de se machucar, telefonar para o terapeuta, ligar para um amigo, ir ao hospital mais próximo, etc. De forma geral, os pacientes com TPB são bastante ricos no que se refere à produçao de material para discussão na sessão. A cada consulta, há um novo problema que, de acordo com o paciente, precisa ser resolvido imediatamente, pois o aflinge muito. Há dois pontos importantes a se destacar: à exceção do comportamento parassuicida, que naturalmente demanda atenção imediata, o que dita a gravidade de um problema não é a sua intesidade, mas a sua longevidade. Além disso, o terapeuta deve estar atento para, junto com o cliente, tentar identificar o fator comum a cada nova crise semanal. Caso isso não ocorra, o terapeuta acabará sentindo-se como um bombeiro que precisa apagar um incêndio a cada semana. Em geral, o terapeuta acaba por se sentir frustrado pela sensação de que a terapia não está andando. Ainda no campo das crises, são comuns os episódios de intensa experiência emocional, nos quais o paciente não consegue nem ao menos especificar a emoção que está sentindo, quanto mais especificar os pensamentos automáticos a ela associados. Uma paciente relatou terror ao sair de casa. Ao ser questionada sobre o terror respondeu: “Não sei medo de que, só terror, é aquele terror que tive várias vezes na vida”. Caso o terapeuta tenha informações que permitam inferir hipóteses acerca do terror nesse caso, é importante colocá-las para o paciente e pedir que ele forneça feedback.
As técnicas utilizadas na terapia cognitiva padrão são bastante importantes ao longo do tratamento com o paciente com TPB, lembrando sempre da importância de discutir com o cliente o porquê das técnicas e de eliciar os pensamentos automáticos a elas relacionados para maximizar sua eficácia. Essa preocupação está relacionada à resistência comumente encontrada nesses pacientes diante das estratégias propostas pelo terapeuta. Essa resistência é bastante compreensível, já que as estratégias utilizadas podem ativar esquemas apresentados pelo paciente. Nesses casos, é sempre importante trabalhar com a ativação dos esquemas para depois proceder à implementação das estratégias.
            É comum os pacientes com TPB apresentarem uma forma catastrófica de relatarem seus problemas na terapia, relatando de forma drástica as tragédias que lhe ocorreram na semana anterior e mostrando como é impossível lidar com elas, muitas vezes pensando no suicídio como alternativa de solução do problema. De acordo com Bray e colaboradores (2007), pacientes com TPB apresentam muita dificuldade para soluções de problemas, com orientação negativa dos problemas e impulsividade. O terapeuta tem um papel fundamental em auxiliar o cliente a mudar de sintonia, saindo da sintonia da “catátrofe” para uma sintonia mais construtiva, de buscar soluções para os problemas. Esta não é uma tarefa fácil, mas é essencial para que esses pacientes possam desenvolver habilidades de resolução de problemas. Diante de qualquer problema, em primeiro lugar é preciso defini-lo. Em seguida, paciente e terapeuta procuram gerar o máximo possível de alterantivas para lidar com o problema. No momento seguinte, é preciso levantar os pontos positivos e negativos de cada uma das alternativas para então escolher e implementar a melhor delas. Por fim, é preciso que os resultados dessa implementação sejam avaliados. Deve-se ter em mente que há uma correlação entre humor deprimido e dificuldade em ter a flexibilidade cognitiva necessária para gerar alternativas durante a resolução de problemas.
Quando o esquema é acessível à descrição verbal, pode-se utilizar a folha elaborada por Judith Beck (QuadroXXX), para o trabalho com as crenças centrais. Nela são registradas a crença central antiga (a ser modificada), o quanto o paciente acredita nela e o quanto acreditou na semana anterior, bem como a nova crença. Também são anotadas as evidências contra e a favor da crença antiga, tendo sido estas últimas reformuladas à luz da nova crença. O quadro XXX mostra um exemplo preenchido.
QUADRO XXX    Folha de trabalho com a crença central
______________________________________________________________________
Nome: MNG
Crença central antiga: Sou uma incapaz.
Quanto você acredita na crença central antiga neste momento? (0-100) 85
Qual foi o máximo que você acreditou nesta crença esta semana? (0-100) 95
Qual foi o mínimo que voce acreditou nesta crença esta semana? (0-100) 80
Nova crença: Sou capaz em alguns aspectos e incapaz em outros..
Quanto você acredita na crença nova neste momento? (0-100) 60

Evidências que contradizem a crença antiga e apóiam a crença nova:
1.      Tenho um trabalho, no qual sou valorizada.
2.      Administro as finanças da minha casa.
3.      Cuido do meu filho.

Evidências que apóiam a crença antiga reformulada:
1.      Apesar de eu me sentir uma pessoa incapaz, isto não significa que eu seja incapaz como um todo.
2.      Não passei ainda no concurso público que queria, mas ainda não tive condições de estudar.
3.      Não sou um pai ideal, mas estou melhorando cada vez mais.
______________________________________________________________________


De grande importância para pacientes com TPB foi o desenvolvimento da Terapia do Esquema por Jeffrey Young como uma abordagem integrativa e sistemática que se expande a partir da TCC (Young et al., 2008).  A Terapia do Esquema procura focar nas experiências traumáticas e negativas primárias que originam problemas psicológicos, em técnicas que utilizam a emoção, na relação terapêutica e em estilos mal adaptativos de enfrentamento Em primeiro lugar, é preciso identificar os esquemas do paciente com TPB, que constumam estar relacionados aos seguintes temas: incompetência, privação emocional, desconfiança, abandono, falta de individuação, fato de ser uma pessoa ruim e não passível de receber amor. A avaliação dos problemas apresentados pelo paciente, sua relação com eventos negativos críticos em sua história e as crises apresentadas ao longo da terapia fornecem boas pistas a respeito dos esquemas subjacentes. É importante também identificar os estilos de enfrentamento dos esquemas, que são comportamentos auto-derrotistas que perpetuam os esquemas. Os estilos de enfrentamento podem ser: rendição, evitação ou supercompensação. Depois de identificados, os esquemas e estilos de enfrentamento podem ser modificados por meior de recursos verbais, do uso de imagens ou da combinação desses recursos com outras estratégias não-pictóricas. O terapeuta utiliza a confrontação empática, incentivando a mudança no padrão comportamental e a substituição por formas de enfrentamento mais saudáveis, mas também expressando empatia sobre a dificuldade de modificar padrões comportamentais profundamente arraigados.
Quando os esquemas estão fortemente associados a imagens, são utilizados exercícios de imaginação. Nesses exercícios, podem ser utilizadas situações traumáticas vividas pelo paciente (por exemplo: abuso sexual quando criança) e o terapeuta procura investigar junto com o paciente  como ele viveu a situação enquanto criança. O paciente relaxa confortavelmente na poltrona, imagina a situação traumática e o “eu” adulto do paciente procura fazer a reestruturação cognitiva dos pensamentos apresentados pelo “eu”criança do paciente. Pode ser necessário repetir esse procedimento várias vezes.
Muitos esquemas podem surgir nos primeiros anos de vida e serem ativados por pistas não-verbais e não-pictóricas, como, por exemplo, temperatura, tom de voz, cheiro e sensações físicas. Alguns esquemas são ativados pela sensação de frio, tal como uma paciente que tinha seu esquema de abandono ativado em dias frios. Nesses casos, pode-se usar uma combinação de métodos verbais, de imaginação e físicos (um cobertor ou um banho quente quando da ativação do esquema) para modificá-los.
Os pacientes com TPB costumam ter quase todos os 18 esquemas (em especial: abandono, desconfiança/abuso, privação emocional, defectividade, autocontrole/autodisciplina insuficientes, subjugação e postura punitiva). Para lidar com tantos esquemas e com as mudanças afetivas extremas e intensas, foi criado o conceito de modo. Pacientes com TPB mudam os modos com frequência, em resposta a eventos em sua vida. Quando os pacientes com TPB mudam de modo, os outros modos parecem desaparecer. Os modos ficam dissociados quase por completo. Foram identificados cinco principais modos que caracterizam a personalidade borderline: criança abandonada; criança raivosa e impulsiva; pais punitivos; protetor desligado e adulto saudável. A forma mais fácil de distinguir os modos é pelo tom de suas expressões (Young et al., 2008).
O trabalho com modos tem como objetivo fortalecer o modo adulto saudável a fim de oferecer carinho e proteger a criança abandonada, estabelecer limites para o comportamento da criança raivosa e impulsiva e a expressar de maneira adequada, emoções e necessidades, eliminar os pais punitivos e substituir o protetor desligado. O paciente com TPB amadurece em direção a um adulto saudável. Nesse sentido, o tratamento eficaz não é breve, podendo durar alguns anos.
No atendimento de pacientes com TPB é importante que os terapeutas conheçam seus próprios esquemas e estilos de enfrentamento, uma vez que o trabalho com esses pacientes costuma ser intenso e tumultuado e disparar os esquemas do próprio terapeuta.

O tratamento proposto por Linehan (1993, 2010) através da Terapia Comportamental Dialética (TCD) tem-se mostrado extremamente interessante. Linehan desenvolveu a TCD com o objetivo de tratar pacientes com TPB e história de várias tentativas de suicídio. A Terapia Comportamental Dialética engloba uma série de técnicas cognitivo-comportamentais, mas possui algumas especificidades. O nome dialética vem da característica dinâmica da terapia, na qual a cada momento os opostos são conciliados em um processo de síntese. A principal dialética refere-se à aceitação do paciente como ele é, ao mesmo tempo em que se procura ajudá-lo a mudar. Há uma ênfase tão grande no processo de mudança quanto no processo de aceitação do paciente. Uma das diferenças entre a Terapia Comportamental Dialética e a Terapia Cognitiva de Beck é que a primeira não considera necessariamente as respostas comportamentais e os sentimentos como resultantes de processos disfuncionais de pensamento. De acordo com a Terapia Comportamental Dialética, os pensamentos não ocupam lugar de primazia em relação aos domínios emocional e comportamental.
Basicamente, o tratamento do TPB com a Terapia Comportamental Dialética inclui o uso de técnicas de validação e de resolução de problemas. Os objetivos da terapia são claramente estabelecidos de acordo com a seguinte ordem de importância: em primeiro lugar, são abordados os comportamentos que ameaçam a vida ou a integridade física do indivíduo. Em segundo lugar, são trabalhados os comportamentos que ameaçam o processo de terapia (p. ex., faltar às sessões). Em terceiro lugar, são tratados os problemas que inviabilizam uma qualidade de vida razoável. Em seguida, vem a preocupação com a estabilização das habilidades comportamentais desenvolvidas em resposta às habilidades disfuncionais pré-existentes.

Tratamento  farmacológico:

Há sérias limitações nos estudos farmacológicos para tratar pacientes com TPB: amostras pequenas, poucos ensaios randomizados e baixa qualidade metodológica das pesquisas. No geral, o tamanho de efeito encontrado com qualquer tipo de fármaco tem sido no máximo modesto, sendo pouquíssimos os pacientes que remitem quando expostos à farmacoterapia isoladadamente. A conclusão final é de que o papel dos medicamentos no tratamento do TPB é de auxiliar à psicoterapia, limitando-se a tratar os sintomas e não o transtorno como um todo. Ou seja, não há uma medicação “anti-borderline”, mas sim recursos farmacológicos que permitem o alívio de sintomas-alvo incômodos cujo controle é relevante para um melhor manejo psicoterápico.
Há ensaios randomizados controlados evidenciando a eficácia de certa classe de antidepressivos (inibidores seletivos da recaptação da serotonina), antipsicóticos e anticonvulsivantes. O sucesso destes fármacos - ainda que moderado - tem sido principalmente no controle da impulsividade, irritabilidade e agressividade (Paris, 2009). Os resultados na instabilidade emocional, sensibilidade à rejeição e sintomatologia depressiva associada têm sido relativamente pequenos. Os novos antipsicóticos (neurolépticos atípicos) têm estado na fronteira da pesquisa atual, alguns mostrando isoladamente resultados semelhantes aos dos inibidores de recaptação da serotonina no controle da sintomatologia ansiosa/depressiva do paciente com TPB: eficácia baixa a moderada . Contudo, certos antipsicóticos atípicos (p.ex., a olanzapina) têm desvantagens pela maior propensão em favorecer ganho de peso e até mesmo contribuir para o desenvolvimento de uma síndrome metabólica. Certas categorias de fármacos não devem ser prescritas isoladamente. Os antidepressivos tricíclicos, por exemplo, não só não possuem evidência de eficácia adequada no tratamento do TPB quando usados como estratégia única, como são letais em superdosagem (um risco freqüente dadas as características clínicas de tendência a suicídio desses pacientes, citadas anteriormente) (Abraham e Calabrese, 2008). Também deve ser evitado o tratamento com benzodiazepínicos isoladamente. Esses fármacos podem favorecer comportamento impulsivo/destrutivo tão comum nos pacientes com TPB. Não podemos nos esquecer que os benzodiazepínicos compartilham certos efeitos com o álcool, agindo ambos no complexo receptor benzodiazepínico, sendo agonistas gabaérgicos. Exemplificando: não é adequado tratar um quadro de ataques de pânico em paciente borderline utilizando somente o benzodiazepínico clonazepam. Este fármaco pode levar a uma exacerbação da agressividade bem como pode haver interação do mesmo com bebidas alcoólicas, de abuso tão freqüente nesta população de pacientes.
Em suma, a despeito das limitações da farmacoterapia no TPB, bem como das diversas precauções que deve se ter em mente, esta modalidade terapêutica pode trazer alívio a sintomas centrais como a agressividade e irritabilidade. O controle desses sintomas pode ser de suma importância para que a psicoterapia possa ser implementada. Além disso, esses sintomas impactam tremendamente na qualidade de vida do paciente e particularmente daqueles que o rodeiam. O imediato controle dos mesmos pode ser vital para impedir separações impulsivas e rupturas de emprego desnecessárias, eventos tão comuns na vida do paciente com TPB.

CONCLUSÃO:

Tratar pacientes com TPB representa um desafio diário.  É preciso que, além de todas as estratégias acima mencionadas, o terapeuta desenvolva habilidades pessoais tais como, um estilo terapêutico caloroso, colaborativo, aberto, flexível e criativo.  É necessário também ser firme e aberto à crítica.  Devemos ver, portanto, o trabalho com TPB não simplesmente como algo difícil e penoso para o terapeuta, mas como uma oportunidade de participar de um processo de melhora da vida do paciente que irá repercutir em outras vidas (familiares, amigos, etc.), bem como no crescimento dos profissionais envolvidos no processo.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ABRAHAM P. F.; CALABRESE J. R. Evidenced-based pharmacologic treatment of borderline personality disorder: a shift from SSRIs to anticonvulsants and atypical antipsychotics? Journal of Affective Disorder, v.111, n.1, p. 21-30, 2008.

APA. American Psychiatric Association. Practice guideline for the treatment of patients with borderline personality disorder. Washington, DC, 2001.

ARNTZ, A. Do personality disorders exist? On the validity of the concept and its cognitive-behavioral formulation and treatment. Behaviour Research and Therapy, v.37, p.S97-S134, 1999.

BECK, A. T.; FREEMAN, A.; DAVIS, D. D. Terapia cognitiva dos transtornos da personalidade. Porto Alegre: Artmed, 2005.

BRAY, S.; BARROWCLOUGH, C.; LOBBAN, F. The social problem-solving abilities of people with borderline personality disorder. Behaviour Research and Therapy, v.45, p. 1409-1417, 2007.

CHEN, L. P.; MURAD, M. H.; PARAS, M. L.; COLBENSON, K. M.; SATTLER, A. L.; GORANSON, E. N.; ELAMIN, M. B.; SEIME, R. J.; SHINOZAKI, G.; PROKOP, L. J.; ZIRAKZADEH, A. Sexual abuse and lifetime diagnosis of psychiatric disorders: systematic review and meta-analysis. Mayo Clinic Proceedings, v.85, n.7, p. 618-629, 2010.

DSM-III. Diagnostic and statistical manual of mental disorders. Washington: American Psychiatric Association, 1980.

DSM-IV. Diagnostic and statistical manual of mental disorders. Washington: American Psychiatric Association, 1994.
                                        
DSM-IV-TR. Diagnostic and statistical manual of mental disorders. Washington: American Psychiatric Association, 2000.

CRAIG JOHNSTON, C.; DORAHY, M. J.; COURTNEY, D.; BAYLES, T.; O’KANE, M. Dysfunctional schema modes, childhood trauma and dissociation in borderline personality disorder. Journal of Behavior Therapy and Experimental Psychiatry, v. 40, p. 248-255, 2009.

FIRST, M. B.; GIBBON, M.; SPITZER, R. L.; WILLIAMS, J. B. W.; BENJAMIN, L. S. Structured Clinical Interview for DSM-IV Axis II Personality Disorders, (SCID-II). Washington, D.C.: American Psychiatric Press, Inc., 1997.

KREITMAN, N. Parasuicide. England: Wiley, 1977.

LANDEIRA-FERNANDEZ, J.; CHENIAUX, E. Cinema e loucura: conhecendo os transtornos mentais através dos filmes.  Porto Alegre: Artmed, 2010.

LAYDEN, M. A.; NEWMAN, C. F.; FREEMAN, N. A.; MORSE, S. B. Cognitive therapy of borderline personality disorder. Estados Unidos: Allyn and Bacon, 1993.

LINEHAN, M. M. Cognitive-behavioral treatment of borderline personality disorder. New York: the Guilford Press, 1993.

LINEHAN, M. Terapia cognitivo-comportamental para transtorno da personalidade borderline: guia do terapeuta. Porto Alegre: Artmed, 2010.

MCMAIN, S. F., LINKS, P. S., GNAM, W. H., GUIMOND, T., CARDISH, R. J., KORMAN, L., STREINER, D. L. A randomized trial of dialectical behavior therapy versus general psychiatric management for borderline personality disorder. American Journal of Psychiatry, v. 166, p.1365-1374, 2009.

NUNES, P. M.; WENZEL, A.; BORGES, K. T., PORTO, C. R.; CAMINHA, R. M.; OLIVEIRA, I. R. Volumes of the hippocampus and amygdala in patients with borderline personality disorder: a meta-analysis. Journal of Personality Disorders, v.23, n.4, p. 333–345, 2009.


RAMKLINT, M; JEANSSON, M.; HOLMGREN, S.; GHADERI, A. Assessing personality disorders in eating disordered patients using the SCID-II: Influence of measures and timing on prevalence rate. Personality and Individual Differences, v.48, p.218–223, 2010.

SHEDLER, J.; BECK, A.; FONAGY, P.; GABBARD, G. O.; GUNDERSON, J.; KERNBERG, O.; MICHELS, R.; WESTEN, D. Personality disorders in DSM-5. American Journal of Psychiatry, v.167, p. 1026-1028, 2010.

TRULL, T. J.; SHER, K. J.; MINKS-BROWN, C.; DURBIN, J.;  BURR, R. Borderline personality disorder and substance use disorders: A review and integration. Clinical Psychology Review, v.20, p. 235–253, 2000.

van VELZEN, C. L. M.; EMMELKAMP, P. M. G. The assessment of personality disorders: implications for cognitive and behavior therapy. Behaviour Research and Therapy, v.34, n.8, p.655-668, 1996.

VENTURA, P. Transtornos da Personalidade. In: RANGÉ, B. (Ed.). Psicoterapia comportamental e cognitiva de transtornos psiquiátricos. São Paulo: Editorial Psy, 1995.

YOUNG, J. E., KLOSKO, J. S., WEISHAAR, M. E. Terapia do esquema: guia de técnicas cognitivo-comportamentais inovadoras. Porto Alegre: Artmed, 2008.

YOUNG, J. E.; LINDEMANN, M. D. An integrative schema-focused model for personality disorders. Journal of Cognitive Psychoterapy: an International Quarterly, v.6, n.1, p.11-24, 1992.



terça-feira, 15 de novembro de 2011

Momento sufocante

Bem, estou melhor mas os obstáculos estão altos também... Eu comecei a dar aula a tarde também para uma turma de surdos, estou trabalhando o dia todo, e não consigo ir a terapia no Rio por conta disso, mas eu já estava pra trocar de psicóloga mesmo, pois to lendo um livro que se chama "Terapia Cognitiva dos Transtornos de Personalidade", e percebi que eu preciso mesmo é de TCC (terapia cognitiva comportamental) então entrei em contato com a querida Carla, e ela vai voltar a me atender em dezembro de forma particular já que to trabalhando agora e posso pagar, mas até lá vou ter que aguentar sozinha, nem sei como... Eu tenho estado melhor, já faz tempo que não me machuco, mas ainda me sinto frágil, e as vezes choro porque sinto vontade de desistir de lutar contra isso, mas não desisto, continuo perseverante. Agora to entendendo um pouco mais sobre Boderline e logo escreverei aqui sobre este transtorno, em breve mesmo, mas estou com muito medo de não conseguir aguentar nesta rotina sem psicóloga e sem tempo até de pensar, quando tenho um mínimo intervalo de tempo acabo que junto tanta coisa dentro de mim sufocada que parece que eu explodo de uma vez só, é horrível, estou sofrendo muito, mas acho que vale a pena eu continuar tentando um bom resultado profissional para poder ter uma vida melhor e poder fazer a terapia adequada, e poder me sentir útil fazendo o que eu gosto. Mas que anda muito cansativa essa rotina doida, anda, mas falta pouco, se Deus quiser, logo será dezembro... Preciso muito de carinho e compreensão, quem puder me mandar e-mails para me fortalecer neste momento eu agradeço, pode só comentar aqui também. Muito obrigada pela atenção, gente! Beijos e "TO BE STRONG".




terça-feira, 11 de outubro de 2011

Atualizando as novidades, diagnóstico duplo...

Olá gente, andei afastada mas estou aqui firme e forte... Bem, as novidades são as seguintes:
Eu recebi meu diagnóstico e não tenho só o TOC, tenho uma comorbidade também, Transtorno de Personalidade Boderline (ou Limítrofe), depois se vcs se interessarem, posto mais sobre isso aqui. Bem mas continuo frequentando a Riostoc, afinal só lá que me sinto em casa, fiz terapia de TCC no DPA da UFRJ e foi maravilhoso, mas tive que mudar de psicóloga e agora voltei pra psicanálise, que eu não gosto tanto quanto gosto da TCC, mas me ajuda também, estou em tratamento medicamentoso ainda, agora com os dois primeiros remédios que eu tomei quando fui no primeiro médico e que me fez bem, estou dormindo melhor, estou mais disposta, voltei a trabalhar mas ainda não recebi nada devido a essa chata greve dos bancos, estou com uma turminha de 3º ano (2ª série) e acho que é isso... Prometo que volto assim que der para explicar mais coisas, mas hoje tenho prova no curso de LIBRAS e então preciso dar mais uma estudada... Bjs pra todos vcs! E continuem me escrevendo, adoro receber e-mails e comentários desse blog!

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Faz tempo...

Pessoal, desculpe-me por não ter postado nada desde maio, mas é que não tive tempo, e estava esperando ter certeza de algo para informar, mas como ainda to na angústia sem saber de nada, resolvi compartilhar um pouquinho com vcs das novidades, mas não poderei falar de tudo ainda... Bem, eu to feliz com o nascimento da minha sobrinha, mas estou nervosa e ansiosa com outras coisas, estou desde junho sem consulta do meu médico, que será semana que vem, e to desde semana retrasada sem psicóloga pq a minha maravilhosa Carla saiu da DPA - UFRJ e ainda por cima viajou e ninguém sabe quem é a pessoa que ela escolheu pra ficar comigo a partir de agora, e ninguém consegue falar com ela, nem eu... tive em junho e julho um período complicado, com direito a vários lapsos e 3 crises horríveis e acho que só quero falar até aqui por hj, pq não to 100% e to meio que com dor de cabeça e se ficar falando disso aqui é capaz deu ficar mas triste e piorar, e eu não quero, pq hj estou lutando desde cedo contra meus pensamentos obcessivos, e até agora eu acho que to ganhando deles, mas tenho medo pq não sei até quando eu vou guentar... Pq a briga hj entre eu e eles tá complicada!!!

sábado, 7 de maio de 2011

Perguntas e Respostas sobre TOC

TOC: Perguntas mais frequentes


John Greist
Professor de Psiquiatria Clínica, Universidade de Wisconsin; Comitê Científico da Fundação Internacional do
TOC
Maggie Baudhuin, MLS
Coordenadora, Instituto de Medicina em Madison


Quão comum é o TOC?


As nossas estimativas mais precisas indicam que 1 adulto entre 100 atualmente tenha TOC – o que seria entre 2 e 3 milhões de adultos nos Estados Unidos¹ ². Isto é aproximadamente o mesmo número de pessoas que vive na cidade de Houston, Texas. Há também, pelo menos, uma criança ou jovem entre 200 – ou seja, 500.000 – que tem TOC. Isto é um número parecido com o de crianças que tem diabetes. Isto significa que quatro ou cinco crianças com TOC poderiam estar matriculadas em qualquer escola de ensino básico de tamanho médio. Em uma escola de ensino médio de tamanho médio a grande poderiam existir 20 estudantes enfrentando os desafios causados pelo TOC³. O TOC afeta igualmente homens, mulheres e crianças de todas as raças e origens. 


Em que idade o TOC começa a se manifestar? 


O TOC pode começar a se manifestar a qualquer momento,
desde o jardim de infância até a idade adulta. Apesar do TOC poder ocorrer em idades precoces, existem duas faixas de idade em que o TOC geralmente se apresenta pela primeira vez. A primeira faixa é entre os 10 e os 12 anos, e a segunda faixa entre o final da juventude e o início da idade adulta.


O TOC é herdado geneticamente?


As pesquisas mostram que o TOC se manifesta entre familiares, sim, e que a genética provavelmente tem uma certa influência. Porém, parece que a genética só tem uma parte da responsabilidade de causar o transtorno. Ninguém sabe ao certo quais outros fatores poderiam estar envolvidos; talvez uma doença ou até o estresse comum do dia-a-dia possam induzir a atividade de genes associados aos sintomas do TOC.
Alguns especialistas acreditam que o TOC que começa na infância pode ser diferente do TOC que começa a se manifestar na idade adulta. Uma recente revisão de estudos com gêmeos³ mostrou que os genes tem uma participação maior quando o TOC começa na infância (45-65%), comparado ao TOC que começa na idade adulta (27-47%).


O TOC é um transtorno cerebral?


Pesquisas indicam que o TOC envolve problemas na comunicação entre a parte frontal do cérebro e estruturas
mais profundas. Estas estruturas cerebrais usam um mensageiro químico chamado serotonina. Imagens do
cérebro em atividade mostram também que, em algumas pessoas, os circuitos cerebrais envolvidos no TOC ficavam mais normais ou com medicamentos baseados em serotonina ou então com a terapia cognitivocomportamental
(TCC). Para mais informações sobre a técnica de TCC mais eficaz para o TOC, chamada de Exposição e Prevenção da
Resposta, vá para a página 8. Não existem exames laboratoriais ou de imagens do cérebro para diagnosticar o TOC. O diagnóstico é feito com base nas observação e avaliação dos sintomas da pessoa. 


Quais são os obstáculos mais comuns para um tratamento eficaz? 


Estudos mostram que as pessoas levam, em média, de 14 a 17 anos entre o momento em que o TOC começa até conseguirem um tratamento apropriado.
• Algumas pessoas optam por ocultar os seus sintomas, muitas vezes por medo de constrangimentos ou do estigma. Por conseguinte, muitas pessoas com TOC só procuram ajuda de um profissional da área da saúde mental muitos anos depois do começo dos sintomas.
• Até recentemente, havia menos consciência pública sobre o TOC, então muitas pessoas simplesmente não sabiam que os seus sintomas eram referentes a uma doença para a qual existe tratamento.
• A falta de treinamento apropriado de alguns profissionais da área da saúde mental com frequência leva a um diagnóstico errado. Alguns pacientes com sintomas do TOC consultam-se com vários médicos e despendem muitos anos em tratamento antes de receber o diagnóstico correto.
• Dificuldade em encontrar terapeutas nas redondezas que possam tratar o TOC efetivamente.
• Não ter condições financeiras para custear um tratamento apropriado.


Quão eficazes são os tratamentos para o TOC?


O melhor tratamento para a maioria das pessoas com TOC deveria incluir um ou mais dos seguintes quatro pontos: uma intervenção de TCC chamada Exposição e Prevenção da Respostas (ver página 8), um terapeuta com o devido treinamento (ver página 9), medicação (ver páginas 10-12), e o treinamento da família no sentido desta poder apoiar (ver páginas 14-15). A maioria dos estudos mostra que, em média, cerca de 70% dos pacientes com TOC beneficia-se ou de uma medicação ou então da Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC). Os pacientes que respondem a uma
medicação geralmente mostram uma redução nos sintomas do TOC na medida de 40 a 60%, enquanto que os que respondem à TCC frequentemente registram uma redução nos sintomas do TOC na medida de 60 a 80%. No entanto, os medicamentos tem que ser tomados regulamente, e os pacientes devem participar ativamente da TCC para que estes tratamentos funcionem. Infelizmente, estudos mostram que pelo menos 25% dos pacientes com TOC recusam a TCC, e tanto quanto a metade dos pacientes com TOC abandonam os medicamentos devido a efeitos colaterais ou por outras razões.


¹ National Institute of Mental Health
² Ruscio AM, Stein DJ, Chiu WT, Kessler RC. “The epidemiology of obsessive-compulsive disorder in the National
Comorbidity Survey Replication.” Molecular Psychiatry. 2008 Aug 26.
³ March, J. & Benton, C. (2007). Talking Back to OCD. (pp.10-11). The Guilford Press.


Em breve mais informações aqui no blog e muito mais vídeos também...
Se você realmente está interessado em informações dê prioridade aos posts de informações e vídeos, pesquise e deixe os depoimentos meus, particulares, para ler depois... Afinal, cada pessoa é única, tendo ou não o mesmo problema... Bjs e saúde a tds!!!

terça-feira, 3 de maio de 2011

Vídeos e informações novas...

A seguir entrevista da Roberta na TV - Alerj, queria que o Jô Soares a entrevistasse, me ajudem pedindo no site do Jô para entrevistar Roberta Rocha - diretora adiministrativa da Riostoc, ela é maravgilhosa e levaria seus conhecimentos a muitas pessoas através de um programa de alta audiência... Espero que gostem dos vídeos!!!












Um pequeno trecho com informações muito boas, depois eu irei colocar mais coisas aqui:


Fundação Internacional do TOC

O QUE VOCÊ PRECISA SABER SOBRE O TRANSTORNO OBSESSIVO-COMPULSIVO

O que é o Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC)?

Imagine que a sua mente fique presa em um determinado pensamento ou em uma determinada imagem . . .
Então este pensamento ou imagem é reproduzido em sua mente, várias vezes, repetidamente, independentemente do que você faça...
Você não quer estes pensamentos – eles parecem uma avalanche...
Junto com os pensamentos vem uma sensação intensa de ansiedade...
A ansiedade é o sistema de alerta de seu cérebro. Quando você se sente ansioso, parece que você está correndo perigo. A ansiedade é uma emoção que lhe pede para responder, reagir, se proteger, FAZER ALGUMA COISA...
Por um lado, você pode reconhecer que este medo não faz sentido ou não parece ser razoável, mas ainda assim a sensação é de que o medo é muito real, intenso e verdadeiro...
Por que o seu cérebro mentiria?
Porque você estaria vivenciando sensações se estas não são verdadeiras?
Os sentimentos não mentem...
Infelizmente, no caso de você ter TOC, os sentimentos podem mentir. Se você tiver TOC, o sistema de alerta em seu cérebro não está funcionando corretamente. O seu cérebro está lhe dizendo que você está correndo perigo, quando você não está.
Quando cientistas comparam imagens de cérebros de grupos de pessoas com TOC, eles podem observar que, na média, algumas áreas do cérebro são diferentes das áreas do cérebro de indivíduos que não tem TOC.
Os indivíduos torturados com este transtorno estão desesperadamente tentando fugir de uma ansiedade paralisante e sem fim.

Como posso saber se eu tenho TOC?

Somente terapeutas treinados podem diagnosticar o TOC.
Eles irão procurar por três coisas:

- A pessoa tem obsessões.
- Ele ou ela apresenta comportamentos compulsivos.
- As obsessões e as compulsões tomam muito tempo e interferem em atividades importantes, às quais a  pessoa dá valor (trabalhar, ir à escola etc.)

Obsessões:


- Pensamentos, imagens ou impulsos que ocorrem repetidamente, e, para o portador, parecem estar fora de seu controle.
- A pessoa não quer estas idéias.
- Ele ou ela considera estas idéias indesejadas, e normalmente sabe que elas não fazem sentido.
- As idéias vêm com emoções desagradáveis como medo, nojo, dúvida, ou então a sensação de que as coisas têm que ser feitas de uma forma “correta”.
- As idéias tomam muito tempo e interferem em atividades importantes, às quais a pessoa dá valor (ter
uma vida social, ir ao trabalho, ir à escola etc.)


O que não são obcessões:

- É normal ter, ocasionalmente, pensamentos sobre ficar doente ou sobre a segurança das pessoas a com que as suas obsessões sumam.

Compulsões:

- Comportamentos ou pensamentos repetitivos, que a pessoa tenta neutralizar, compensar, ou então fazer falta com que as suas obsessões sumam.- Pessoas com TOC têm consciência de que isto representa somente uma solução temporária, mas por falta de uma forma melhor de lidar com o seu problema, elas acabam recorrendo à compulsão como uma saída temporária.- Podem também evitar situações que disparam as suas obsessões.

- Consomem muito tempo e interferem em atividades importantes, às quais a pessoa dá valor (ter uma vida social, ir ao trabalho, ir à escola etc.)
O que não são compulsões…

- Nem todos os comportamentos repetitivos ou “rituais” devem ser considerados compulsões. Rotinas executadas antes de dormir, práticas religiosas e aprender ou adquirir uma nova habilidade incluem a repetição contínua de uma atividade, e fazem parte do dia-a-dia e são bem-vindas.
-  Comportamentos devem ser avaliados dentro de seu contexto: arrumar e organizar DVDs oito horas por dia não deve ser considerado uma compulsão se a pessoa trabalha em uma locadora de vídeos.

Obsessões comuns no TOC*

Contaminação

Fluidos corporais (por exemplo: urina, fezes)
Germes/doenças (por exemplo: herpes, HIV)
Elementos contaminantes presentes no meio-ambiente (por exemplo: asbesto, radiação)
Produtos químicos para uso doméstico (por exemplo: produtos de limpeza, solventes)
• Sujeira
Perder o controle

Medo de agir com um impulso de se machucar
Medo de agir com um impulso de machucar outras pessoas
Medo de imagens violentas ou horríveis que aparecem em sua mente
Medo de gritar insultos ou palavrões
• Medo de furtar objetos

Perfeccionismo

Grande preocupação com simetria ou exatidão
• Grande preocupação com necessidade de saber ou lembrar
Medo de perder ou esquecer informações importantes ao jogar fora alguma coisa
Incapacidade de decidir entre manter ou descartar objetos
• Medo de perder coisas

Dano

Medo de ser o responsável por algo terrível que possa acontecer (por exemplo: incêndio, roubo)
• Medo de causar dano a outros por não ser cuidadoso o suficiente (por exemplo: deixar cair algo no chão no que alguém possa escorregar e se machucar)
Pensamentos indesejados sobre sexo

• Pensamentos ou imagens proibidos ou perversos sobre sexo
Impulsos sexuais proibidos ou pervertidos direcionados a outros
Obsessões sobre homossexualidade
Obsessões de cunho sexual que envolvam crianças ou incesto
• Obsessões sobre comportamento sexual agressivo direcionado a outros

Obsessões de cunho religioso (também chamados de Escrupulosidade)

Grande preocupação de ofender Deus ou blasfemar
• Preocupação excessiva com o que é certo/errado ou moralidade

Outras Obsessões

• Grande preocupação de contrair uma doença física (que não seja por contaminação, por exemplo, câncer)
• Idéias supersticiosas sobre números que dão sorte/azar, ou sobre certas cores

* Copiado/impresso com a permissão da New Harbinger Publications, Inc. Esta é uma adaptação do “Checklist
para Obsessões/Compulsões” que aparece em “Cognitive Therapy for Obsessive-Compulsive Disorder: A Guide
for Professionals” (2006), de S. Wilhelm e G. S. Steketee. http://www.newharbinger.com/


Compulsões Comuns no TOC*

Lavar e Limpar
Lavar as mãos de forma excessiva ou de uma determinada maneira
• Tomar banho de chuveiro, tomar banho de banheira, escovar os dentes, arrumar-se, executar rotinas de higiene pessoal, tudo de forma excessiva
Limpar objetos de uso doméstico ou outros itens, de forma excessiva
• Fazer outras coisas para prevenir ou eliminar contato com agentes contaminantes

Verificar

Verificar se você não causou/não vai causar danos a outros
Verificar se você não causou/não vai causar dano a si mesmo
Verificar se nada terrível aconteceu
Verificar se você não cometeu algum erro
Verificar algumas partes da sua condição física ou do seu corpo

Repetir

Reler ou reescrever
Repetir atividades rotineiras (exemplos: entrar ou sair de portas, levantar-se ou sentar-se em cadeiras)
Repetir movimentos corporais (exemplos: bater de leve, tocar, piscar)
• Repetir atividades em “múltiplos” (exemplos: executar uma tarefa três vezes porque três é um número “bom”, “certo”, “seguro”)

Compulsões Mentais

• Rever eventos mentalmente para prevenir danos (a si mesmo, a outros, para prevenir consequências terríveis)
Rezar para prevenir danos (a si mesmo, a outros, para prevenir consequências terríveis)
Contar durante a execução de uma tarefa a fim de terminar com um número “bom”, “certo”, ou “seguro”)
• “Cancelar” ou “Desfazer” (exemplo: substituir uma palavra “ruim” por uma palavra “boa” a fim de cancelar a palavra “ruim”)

Outras Compulsões

• Colecionar itens que acabam se amontoando desordenadamente em casa (também pode ser chamado de colecionismo)
Colocar as coisas nos seus lugares ou arrumá-las até “sentir que está certo”
Dizer algo, perguntar ou confessar a fim de reassegurar-se
• Evitar situações que possam desencadear as suas obsessões

* Copiado/impresso com a permissão da New Harbinger Publications, Inc. Esta é uma adaptação do “Checklist
para Obsessões/Compulsões” que aparece em “Cognitive Therapy for Obsessive-Compulsive Disorder: A Guide
for Professionals” (2006), de S. Wilhelm e G. S. Steketee. http://www.newharbinger.com/

Feriadão e recaídas...

Olha, aconteceu tanta coisa, que nem sei se lembro de tudo, então vou contar as coisas mais importantes, eu acho, bem estou em tratamento, estou bem de ânimo, faz tempo que não choro muito, toda hora, mas tive umas recaídas... Sábado do feriadão da páscoa eu recebi a visita das minhas primas lindas aqui em casa, e do Whesley tmb, bem foi maravilhoso, mas eu e minha mãe ficamos arrumando tudo desde quinta-feira, compramos coisas gostosas, fizemos gostosuras, arrumamos a casa, e quanto mais perto chegava do dia mais ansiosa eu ficava, na sexta a noite comecei a sentir dor de cabeça e enjoo, e depois falta de ar e coração acelerado, então fui dormir, quem disse que eu conseguia, virei pra um lado, virei para o outro, rolei na cama, fiz movimentos estranhos sem querer fazê-los, pensei coisas sobre o dia seguinte, pensei em me machucar mas não me machuquei, e a dor de cabeça, o enjoo e a falta de ar pioraram, e eu dormi e acordei várias vezes, depois das 6h da manhã finalmente peguei num sono bom, mas 7h minha mãe me chamou pra levantar, se não fosse a vinda da minha prima, algo que eu queria muito, não conseguiria me levantar da cama naquele dia, a vontade era de ficar lá pra sempre, mas me levantei, tentei tomar café da manhã por insistência da minha mãe, mas foi quase impossível, então eu fiz algumas coisinhas de última hora e liguei pra minha prima, ela disse que deveria sair depois do almoço, quase dei um treco com a notícia, pois ainda iria demorar mais algumas horas, então tentei almoçar, que dificuldade, comi praticamente nada, e senti as coisas ainda piores com mais dor de barriga e sei lá, muito mal, então minha mãe se distraiu cantando no karaokê e eu aproveitei e subi a lage de casa, lá achei que o vento me faria melhorar, mas minha mente começou a pensar coisas horríveis e aí piorei mais ainda, e comecei a chorar um pouquinho, então pra guentar ou melhor para aliviar e fazer aquilo passar, eu simplesmente não tive muita escolha e comecei a machucar o meu dedão do pé no canto da unha, até que minha mãe sei lá porque subiu lá e me viu agaxada, e perguntou o que eu tava fazendo no pé, eu levei um baita susto e disse que não tava fazendo nada, e fui salva pela chegada da minha prima, que alívio, então eu tremia muito desde quinta-feira e acho que minha mãe já havia reparado algo de errado, não queria que ela soubesse pq ela poderia me proibir de convidá-los novamente e de ir visitá-los, fiquei com muito medo disso... No domingo no Canal de Ponta Negra eu ainda cortei meu pá numa pedra, em dois lugares no mesmo pé que tava doendo o dedão, eu fiz um esforço de ir à praia mesmo com nojo de areia, pelas minhas primas, Fiquei com nojo quando meu pé tava todo doendo, e em qualquer posição que eu apoiasse no chão doía, encomodava, e a areia grudada na ferida tava infeccionando mais ainda meu dedão, então tentei fugir da areia, mas desisti, pois é muito difícil andar de um pé só na areia, tipo, eu então me contive a manter as mãos e os braços sem areia, tarefa complicada e quando o Whesley percebeu tentou jogar areia em mim, quase me desesperei, ainda bem que Alessandra estava lá pra brigar com ele e mandar ele parar, enfrentei bem o nojo de areia, eu acho, aí depois eu tentei conversar com minha prima e não consegui coragem, sei lá, até que a noite, ou mehor, de madrugada, eu escrevi uma cartinha pra ela e entreguei segunda de manhã bem cedo quando ela acordou antes de ir embora, tentei explicar tudo que tava sentindo e que fiz, e ela quiz ver meu dedão e me deu um nome de uma pomada pra eu passar, ela é enfermeira do bombeiro, e mandou bem no conselho, pois a pomada é maravilhosa, eu passei com cotonete pra não sentir nojo nas mãos, mas deu certo, só que durou pouco, uma colega minha do trabalho voltou pra escola e descobriu que eu tinha saído, não entendeu nada e veio atrás de mim, fiz umas coisas no computador pra ela e levei lá, mas neguei aos pouquinhos, meio que enrolando, ir até a escola ajudar ela numa tividade extra com a turma dela, tipo, eu fiquei desesperada só de imaginar o que as outras pessoas íam pensar e falar... Aí no sábado eu chamei minha amiga pra dormir lá em casa, pois estávamos preparando um estudo pro grupo jovem de domingo, aí ela ligou, me atrapalhou e me pediu mais coisas de computador, eu achei que poderia fazer segunda-feira, ou domingo a noite, mas domingo eu e minha amiga fomos convidadas pra fazer uma palestra pública com o nosso estudo, o que nos deixou nervosas, ansiosas, assustadas e preocupadas, estudamos o dia todo até chegar a hora, então gastamos muita energia pensando o dia todo, estudando dois dias diretos sem parar e até meia-noite no sábado, e acordamos cedo, 6h da manhã +ou-, foi de mais e cheguei esgotada, quando estava tentando acordar segunda minha mãe disse que todo mundo sairia para ir a Niterói comprar primeiramente o carrinho da minha sobrinha, e tive que ir também, falaram que íam voltar cedo, mas demoramos muito lá e cheguei exausta em casa, e nem consegui assistir Mentes em Choque, muito menos trabalhar no pc, eu apaguei antes da novela das 8 quer começa as 9h +ou- rsrsrsrrs, e então hj acordei e fui me aprontar pra ir a psicóloga no Rio no DPA da UFRJ, e não tempo de fazer nada a não ser ficar nervosa, deixar de atender um telefonema da minha colega e colocar o celular pra vibrar e começar a me machucar, quando cheguei no Rio, terminei de me machucar nos dedos das mãos, e quando em casa cheguei, antes da minha mãe chegar eu tmb me machuquei, só que com alicate de unha trancada no meu quarto, e desde semana passada que encontrei um recipiente pra guardar os pedacinhos que arranco de mim, que sempre tentei guardar pelo menos por alumas horas ou dias, e agora to colecionando pedaços de mim, e levo isso pra todos os lados comigo, não contei pra ninguém além da minha psicóloga pq achei isso doidera de mais pras pessoas entenderem... tive novamente, essa noite, aquele tipo de sonho onde fico sem alguma roupa em público e só me dou conta depois, dessa vez eu tava numa praia e depois de entrar na água reparei que tava com a parte de cima apenas do biquini, sem nada em baixo, então me abaixei, tentei me esconder e pedi pra minha amiga pegar um short pra mim, e ela trouxe um short que não era bem o que eu queria, mas coloquei mesmo assim, e com vergonha das pessoas terem reparado que eu fui pra água pelada na parte de baixo e com uma verdadeira selva a vista... foi cruel, um pesadelo horrível, detesto esses sonhos, sei lá pq sonho tanto com coisas assim, detesto isso, acordei de madrugada meio mal com o sonho, mas voltei a dormir, tenho comido razoavelmente bem, mas hj não quero comer e minha mãe quer que eu coma, disse que tava fazendo no computador as coisas pra minha colega, mas na verdade não estou, estou me sentindo muito mal, com dor de cabeça, enjoada, com o coração apertado, cansada, e pensando besteira desde ontem a noite, pensando em tentar me machucar feio novamente, com tesoura, faca, gilete, sei lá... Eu só queria sumir daqui ou que essa minha colega parasse de me ligar, já tenho umas 7 chamadas não atendidas dela, eu acho, e to com medo dela ligar aqui pra casa e aí eu terei que atendê-la nem que seja forçada por minha mãe,e nem sei como explicar, o que falar e me sentirei uma irresponsável, culpada, horrível, muito mal mesmo, eu queria sumir daqui agora ou chorar um bucado pra colocar pra fora o que to sentindo... E nessas últimas semanas minhsa manias e tiques tão mais forte, principalmente o de cutucar e supervisionar o cabelo, o de me machucar nos cantinhos das unhas, o de ranger os dentes, o de pular linhas, e alguns outros... E o pior não pude ir esse mês na Riostoc! =[
Acho que é isso! Bjks!!!

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Permanecer Forte e obrigada amiga!

Meu Deus!!! Muitas coisas aconteceram... Eu fiquei com fobia do trabalho, sei lá, eu entrava em pânico todo hora que pensava no trabalho e como eu estava sendo irresponsável, sempre que era o dia eu me arrumava e entrava em pânico e começava a passar mal, fui 5ª feira no meu psiquiatra e ele aumentou a dose do meu medicamento, talvez amanhã eu comece minha terapia, se Deus quiser!!! Eu consegui convencer uma amiga minha a ir finalmente comigo lá no trabalho resolver tudo, mas só dela estar comigo, eu consegui ter a ideia de ligar antes, e ela segurou minha mão para que eu ligasse, ficou ao meu lado, e depois foi lá junto de mim, nunca esquecerei o que a Carol fez por mim, nem imaginávamos quando nos conhecemos (isso é uma longa história) que seríamos amigas, e nunca imaginei que no momento que mais precisei de uma força ela foi a única que podia e quiz fazer isso junto comigo, por mim... Eu te amo, Carol Mello, vc é um doce de pessoa!!! rsrsrsrs Sábado foi um dia bem mais leve, foi muito bom lá no GELC (o trabalho voluntário que faço de evangelização e oficina) e tmb o passeio com minha mãe, minha irmã, Paty e Maria, tmb o rodízio de pizza do meu cunhadinho, e domingo foi um dia cheio, ou melhor, lotado, foi maravilhoso o encontro de evangelizadores em Inoã (no Nosso Lar), e tmb foi muito boa a comida, e a moça da oficina de música me surpreendeu, gente, ela é uma gracinha, animadíssima, fofa, afinada, tudo de bom, e muito criativa... Amei tmb a evangelização e tmb o Grupo Jovem que foi antes, meus piquituxos estavam maravilhosos e muito inteligentes, fiquei muito feliz ouvindo o que eles me falavam durante a aula de evangelização, nunca falei de tanto tema numa só aula, não fiz nada do que estava planejado, mas a aula rendeu muito, fiz eles pensarem, expor suas opiniões e tmb eles fizeram muitas perguntas interessantíssimas que respondi do meu jeitinho, da melhor forma possível e com muita boa vontade, foi D+ esse FDS! uhhhu!!! Hj comi bem no almoço, td bem q não tomei café... mas agora vou comer algo pra agradar minha mamãe, e ver mais tarde mais um episódio de Mentes em Choque na FOX, uma série maravilhosa e nova que começou semana passada, amei o 1º episódio! Ah, novo link em blogs, e essa primeira semana de abril foi a semana de conscientização do TOC, twittei muito... Bjs pra todos e "permaneçam fortes" (palavras da minha querida Demi Lovato)... FUI!

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Help!!!

Oh, my God!!! Ai que dia... Estava tão bem desde 4ª feira da semana passada, dia do meu niver... Depois fui ao Rio no final de semana, na Riostoc foi tão bom e legal e produtivo e D+!!! Estava tão animada, mas aí ontem eu não consegui comer toda a comida, motivo suficiente pro meu pai ficar brigando comigo até de noite e falando com minha mãe disso o tempo todo e ameaçando coisas horríveis e grotescas, apesar de ser por amor, do tipo: vou ter que colocar a comida na sua goela a baixo pra vc se alimentar, etc... coisas muito piores!!! Então eu fiquei um pouco sentida, mas tranquilo pois fui a tarde pra aula de LIBRAS, e me dei super bem na apresentação do trabalho, e tava tão animada na volta, mas como me enrolei com o lanche e até tomei banho de suco, ficou enrolado ligar pra minha mãe ao pegar o ônibus pra Maricá, e quando me lembrei de ligar pra ela, já haviam umas 27 chamadas não atendidas dos meus pais, mais esporro... Agora to com uma mania de mecher no cabelo que nem reparei, minha irmã notou antes de mim até, e desde ontem minha mãe percebeu e ficou no meu pé... Mas até aí td bem, porém hj fui acordada cedo pela minha mãe gritando que eu não podia faltar e nem chegar atrasada no trabalho hj, ela falou isso umas 50 vezes... um absurdo, e foi tanta pressão que mesmo eu tendo ficado pronta bem adiantada, e ter ficado feliz por conseguir passar repelente dois dias seguidos e na mesma semana que consegui dar uma montanha de roupas embora (missão quase impossível pra mim) eu tive uma crise pra lá de estranha, e não consegui ir ao trabalho por mais que eu quisesse, e não acreditaram que eu não tive culpa e que não pensei que isso fosse acontecer, não esperava isso e fiquei hiper chateada com isso, mas minha mãe principalmente viu como falta de responsabilidade minha, mas eu não queria isso, e não queria que ela pensasse assim, queria que ela conseguisse me entender... Bem, eu simplesmente me desliguei geral por 1h inteira, não me lembro de tudo, parece que eu dormi mas com uma certa consciência, mas sem ter controle de mim... eu lembro de ficar balançando a cabeça por um longo tempo, acho que uns 20 minutos ou 30... Lembro de falar sozinha e de pensar algo, mas não em elbro o que... E depois fiquei repetindo duas frases na minha cabeça um tempão, demorei uns 10 minutos pra sair do banheiro e fui pra cima da cama, continuei as frases... minha boca ressecou, eu tava nervosa, tremia muito e não conseguia parar de repetir, então peguei o celular na mão e esperei até conseguir segurar as frases só no pensamento, e liguei desesperada pra minha prima-amiga, e foi difícil falar com ela, eu tava gaguejando muito, a ligação tava péssima, e eu tava meio sem ar e não sabia explicar o que estava acontecendo, mas estava ligando pra ter uma ajuda, eu não sabia o que fazer e estava sozinha em casa, eu to com muito medo de tanta coisa... Eu preciso de ajuda... Eu preciso de alguém aqui comigo, mas que não seja a sufocadora da minha mãe e nem o meu pai, pq ele não entende as coisas direito, não posso contar com ele sempre, e etc. Eu quero a Paty, a Priscila, a Letícia, a Alessandra, alguém que eu gosto e confio perto de mim, algum amigo pra me fazer cia. e me tirar dessa, eu agora estou sentindo um aperto no peito, uma falta de ar e tmb to balançando, mexendo, sei lá... os pés e a cabeça, estou começando a ficar nervosa com isso, não quero ficar maluca, eu só quero ajuda... não posso coninuar, preciso tentar dormir, não to nada bem... bjs!

sábado, 19 de março de 2011

Um pouco +

Olá, ainda não fui diagnosticada pelo meu novo psiquiatra, pois ele ainda está me conhecendo melhor, porém algumas pessoas que entendem de transtornos psiquiátricos desconfiaram que eu possa ter o Transtorno de Personalidade Boderline (TPB) e se isso for verdade, o que ainda não sei, até que faz sentido, mas aqui no Brasil quase ninguém sabe lidar com este problema, eu conheci uma mulher que tmb tem este problema e criou um canal no youtube para expor informações científicas sobre o tema, conseguidas em sites de outros países, e que estudou bastante sobre o tema e que é uma fofa, simpática e linda! Eu tive mais uma recaída no carnaval, e também tive recaídas brabas esta semana que passou, foi muito turbulenta, me feri, mais de uma vez, de formas diferentes, e depois minha mãe ainda descobriu tudo e tivemos uma longuíssima conversa... Ela estava um verdadeiro terremoto quando voltei da COMEERJ, ela estourou tanto por nada que fui passar o resto do feriado com minhas primas, e foi maravilhoso, me diverti muuuuuuuuuuuuuuuuito!!! Mas quando retornei, apesar de minha mãe estar um pouco melhor, meu pai resolveu piorar e aí eu também piorei, não sei porque direito, e aí voltou tudo com uma força danada dentro de mim, inexplicável... E foi bem complicado saber na 4ª feira de cinzas que uma amiga minha havia morrido na 6ª feira e ninguém me contou nada por telefone, eu fiquei péssima, inacreditável a situação, e além disso aconteceram muitas coisas... Depois explicarei melhor tudo isso, espero estar pesando bem, pois antes do carnaval imagreci mais de 1kg, estava pesando 32,900 kg, mas com esta crise não sei se ganhei algum peso no carnaval e se perdi algumas gramas esta semana... Espero estar bem de saúde, tão complicado tudo isso, essa vida... Ah, galera!!! Quem aqui já assistiu o filme O Cisnei Negro??? Gente, a protagonista do filme tem TPB e eu sei o que a personagem sente, a mãe dela é igualzinha a minha, e ela se parece por demais comigo, espero não ter TPB, mas o mais importante é que quero ficar bem, descobrir o que realmente tenho para poder tratar de forma mais eficaz, e ter uma psicóloga o mais rápido possível, eu estou me sentindo muito só desde dezembro...
=(
Ah, depois postarei mais sobre tudo isso aqui, estou aguardando um diagnóstico para me aprofundar, e com tudo isso acontecendo descobri que minha estrela Demi Lovato tmb teve problemas semelhantes aos meus e até se internou, e agora está de volta com aquele belo sorriso, eu já adorava ela, quando vi ela lutando com todas as forças com seus problemas, eu virei mais fã ainda dela, eu a amo e desejo tudo de bom pra ela, muita força, saúde e felicidade pra sua vida e tmb pra de tds que aqui estão compartilhando um pouco do seu precioso momento com minhas palavras... Me sinto muitíssimo grata com tds vcs! Em breve escreverei mais... Ah, minha irmã começou a tocar no assunto dos meus problemas comigo, e de forma menos preconceituosa apesar de ainda um pouco equívoca, e cheia de esteriótipos... E ela afirmou pra mim que ela tem um problema sim, e que ela precisa tratar, pq ela se irrita de mais com as manias e problemas dos outros... Ela agora como mãe tá se tornando um anjo de luz a iluminar minha vida, amo minha maninha por D+, até beijinhos ela tem me dado ou mandado, ela é uma fofura e tomara que sábado que vem eu consiga saber se terei um sobrinho ou uma sobrinha. Bjs e boa semana pra tds vcs!